A importâcia da biosegurança em laboratórios

 Biosegurança

Há algum tempo o termo biossegurança vem ganhando destaque em vários setores, principalmente quando citamos laboratórios, clínicas e demais unidades de saúde.

A partir da década de 1970 uma série de estudos detectou que profissionais da área da saúde apresentavam mais doenças como tuberculose, hepatite B, do que a maioria da população.

Por estarem mais expostos, estes profissionais acabavam contraindo diversas doenças, que poderiam ser evitadas se medidas de segurança fossem tomadas. Assim surgiram os estudos, leis e procedimentos de biossegurança.

 

O que é biossegurança?

Podemos definir a biossegurança como um conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização e eliminação de riscos para a saúde de pessoas e do meio ambiente.

A biossegurança não está relacionada apenas a tecnologias que devem ser utilizadas para garantir menores riscos, mas, principalmente, se iniciam com a educação de todos os agentes envolvidos no processo e adoção de procedimentos seguros.

É importante, antes de qualquer coisa, educar os profissionais de saúde para que estes adotem os procedimentos de segurança indicados pelos órgãos de vigilância sanitária, clínicas e laboratórios.

A biossegurança começa no simples ato de lavar as mãos corretamente, usar os materiais de EPIs adequadamente, descartar corretamente os resíduos.

Os profissionais que atuam nessa área necessitam receber treinamento adequado e atualizações constantes sobre as técnicas que devem ser adotadas para manter o ambiente seguro.

Cada laboratório deve adotar um conjunto de medidas, como uma espécie de manual, que vai identificar os riscos e especificar quais práticas e procedimentos específicos devem ser adotados para minimizar e eliminar os possíveis acidentes e danos que possam existir.

É importante também que haja uma sinalização da área laboratorial, indicando, por exemplo, qual o nível de biossegurança da área, agentes biológicos manipulados no local, classe de risco dos agentes, EPIs necessários, identificação de produtos perigosos, entre outros.

Além disso, também existem diversas tecnologias, ferramentas e materiais especiais que devem ser empregados para garantir maior segurança como capelas e cabines de proteção biológica, sistemas de ventilação, varas de manobra, sistemas de aterramento, isolamento acústico e isolamento térmico, dentre outros.

A própria estrutura do laboratório deve ser pensada de forma estratégica desde sua construção, envolvendo uma equipe multidisciplinar com engenheiros, arquitetos, profissionais de biossegurança e de segurança do trabalho.

Todos estes procedimentos, técnicas e ferramentas devem ser empregados em conjunto para garantir a segurança dos colaboradores e também do meio ambiente.

 

Classificação dos riscos em biossegurança

Os riscos individuais e coletivos em biossegurança podem ser classificados em algumas categorias.

Físicos

São caracterizados por radiações, umidade, temperatura, ruídos, vibrações, que podem ser gerados por máquinas, equipamentos, quedas, escorregões e exposição à material radioativo e a temperaturas altas ou baixas, etc. Estes riscos geralmente apresentam algum dano físico ao indivíduo ou comunidade.

Químicos

Toda manipulação de produtos químicos apresenta este tipo de risco. São caracterizados por substâncias que podem penetrar no organismo por via respiratória, por contato, absorção pela pele, ingestão, etc. Poeira, fumaças, gases, vapores, líquidos podem representar um risco químico ao indivíduo ou a comunidade.

Biológicos

Riscos biológicos ocorrem através da manipulação de organismos vivos em laboratório como bactérias, fungos, parasitas, vírus e outras substâncias que podem desencadear doenças devido à contaminação.

Ergonômicos

Riscos derivados de movimentações repetitivas, inadequadas, más condições no ambiente de trabalho, como cadeiras e mesas que geram desconforto.

Acidentes

Qualquer fator que pode colocar em risco a vida do trabalhador de forma inesperada, como incêndios, explosões, quedas, inundações, desabamentos, etc.

 

O que diz a legislação sobre biossegurança

Em nosso país a legislação de Biossegurança foi instituída pela lei nº 8.974, de 05 de janeiro de 1995. Também foi estipulada a criação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Esta lei denomina os níveis de biossegurança em NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4. Eles estão relacionados às exigências de segurança na manipulação de agentes biológicos.

Esta lei “estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente".

Deste modo, foram criados níveis de biossegurança de acordo com alguns critérios como a virulência do agente, estabilidade no ambiente, concentração e volume trabalhados, seu modo de transmissão, origem do agente (humano, animal, localização geográfica, endemicidade e natureza do vetor), dose infectante, manipulação do agente patogênico, vias de eliminação e fatores referentes ao trabalhador (como o estado imunológico), disponibilidade de medidas profiláticas e tratamento eficazes, etc.

Cada nível possui seus riscos e, claro, procedimentos e equipamentos que devem ser utilizados para diminuir as ameaças e danos que podem ocorrer.

  • NB-1 - Laboratórios que manipulam microrganismos que apresentam baixo risco individual e para a coletividade
  • NB-2 - Laboratórios que manipulam microrganismos que apresentam moderado risco individual e limitado risco para a comunidade):
  • NB-3 - Laboratórios que manipulam microrganismos que apresentam alto risco individual e moderado risco para a comunidade
  • NB-4 - Laboratórios que manipulam microrganismos que apresentam alto risco individual e alto risco para a comunidade

É imprescindível que o laboratório tenha atenção máxima às normas de biossegurança, licenciamento ambiental, mecanismos e instrumentos de monitoramento e rastreabilidade, afim de evitar qualquer risco para os seus colaboradores e para toda a comunidade.

 

 

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