Como funcionam os testes rápidos da COVID-19

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Além do isolamento social, outra medida que se prova eficaz na luta contra a Covid-19 é a testagem em massa. Como não há vacina, nem remédio comprovadamente eficaz, apenas a realização de testes e o isolamento conseguem auxiliar no achatamento da curva e diminuição no número de casos.

Bons exemplos não faltam. Países que estão fazendo um grande número de testes como Alemanha e Coreia do Sul, por exemplo, conseguem identificar e isolar pessoas que estão com a doença, evitando a proliferação silenciosa do Coronavírus.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a intenção é saltar de até 6,7 mil testes diários para cerca de 30 mil exames. A projeção é chegar a cerca de 3 milhões de exames feitos em 180 dias.

 

Importância da testagem

A OMS e países que estão tendo bons resultados no combate ao Coronavírus são unânimes: a testagem em massa é a melhor solução no momento para conter a proliferação da Covid-19.

Quanto mais testes, mais pessoas assintomáticas ou com sintomas leves podem ser identificadas. Dessa forma, é possível fazer um isolamento mais efetivo, quebrando a cadeia de transmissão do vírus.

Além disso, com mais testes é possível identificar a real situação da doença no país. Assim, governos estaduais, municipais e federal podem tomar medidas mais assertivas no combate à doença.

Com um país de proporções continentais como o Brasil, é evidente que nem todas as regiões sofrem igualmente dos mesmos problemas. Cada estado poderá sofrer os impactos do novo Coronavírus de forma diferente.

Ao testar mais pessoas e identificar o mapa real da doença, é possível destinar recursos para as regiões mais afetadas e trabalhar para conter a proliferação do vírus.

Um dos indicadores que pode mostrar a ineficiência da nossa testagem é a porcentagem de mortos pela Covid-19. Em alguns lugares a taxa de mortalidade fica entre 1 e 2%. Em outros, pode passar de 5%.

Isso significa que a doença é mais mortal em determinado lugar? Com certeza não. O vírus possui o mesmo código genético e não é mais mortal em determinado lugar. A resposta para essa disparidade está nos casos e óbitos confirmados. Onde há grande número de mortos e poucos casos confirmados, a taxa de mortalidade é maior. Isso indica que os casos confirmados poderiam ser maiores, caso houvesse mais testes sendo realizados.

Isso vem acontecendo no Brasil. Só são testados os casos graves. Dessa forma, muitas pessoas que nem chegaram a ir ao hospital, não apresentaram sintomas graves, provavelmente estavam com o vírus, o espalharam, mas não entraram nos registros do Ministério da Saúde.

Por isso, os testes rápidos da Covid-19 podem representar um avanço no combate ao Coronavírus em nosso país. Eles podem ajudar a traçar um panorama mais realista do estado da contaminação e, portanto, nos ajudar a traçar estratégias de combate mais efetivas.

 

Como funcionam os testes rápidos da Covid-19?

Existem hoje dois exames principais sendo utilizados no mundo todo. O mais assertivo deles é o RT-PCR, que utiliza a biologia molecular. Neste teste uma amostra de secreção nasal e da garganta do paciente é levada ao laboratório para uma busca minuciosa pelo material genético do Sars-Cov-2 (Covid19).

Este procedimento possui um resultado muito mais confiável, porém, demora cerca de oito horas, se não houver filas. Como há uma grande demanda e em todo o mundo também há escassez de insumos para produzir estes exames, os testes rápidos acabam sendo uma saída alternativa e prática.

A maioria dos testes rápidos usa o sangue dos pacientes e pode ficar pronto de 10 a 30 minutos. Com uma pequena gota já é possível verificar se há uma reação química que indica a presença do vírus.

Indica, porém não confirma. Apesar de práticos, os testes rápidos não são tão confiáveis, pois não confirmam a presença do vírus no organismo. Eles medem a quantidade de dois anticorpos: IgG e IgM.

O IgM é considerado um marcador para a fase aguda da doença, que começa a ser produzido em nosso corpo entre cinco e sete dias após a infecção pelo vírus. Já o IgG é mais específico e permanece circulando mesmo após o fim da fase aguda, indicando que a pessoa está protegida de futuras infecções provocadas por aquela doença.

Portanto, os testes rápidos só devem ser feitos em pacientes que já apresentam sintomas da doença há pelo menos cinco dias. Ao realizar o teste antes desse período é possível que não seja notada a presença destes anticorpos ainda e, assim, pode-se concluir que o resultado deu negativo para a presença da Covid-19, mesmo que o vírus esteja no organismo.

 

Os testes rápidos funcionam?

Essa é uma resposta complicada. A Espanha, por exemplo, recusou a aplicação de testes rápidos, pois sua eficácia estava estimada em 30%. Ou seja, cerca de 70% dos casos não conseguiam ser identificados pelos testes rápidos.

No entanto, existem muitos fabricantes destes testes ao redor do mundo e a eficácia na detecção depende de vários fatores, principalmente a qualidade do kit para testes.

Outro fator que pode influenciar na qualidade da detecção é o uso de soro do sangue, aquele retirado diretamente de uma veia e levado para o laboratório. Este método não é tão rápido quanto o que usa uma gota de sangue, geralmente retirada do dedo, que leva até 30 minutos, porém alguns laboratórios garantem 100% de assertividade na detecção.

 

Quem deve fazer o teste rápido?

Inicialmente os testes rápidos estão sendo feitos prioritariamente nos profissionais de saúde e segurança. Alguns estados e municípios também estão fazendo por conta própria suas testagens e oferecendo a uma parcela maior da população.

No entanto, na rede pública de saúde os testes rápidos são oferecidos, principalmente, para aqueles que já tem sintomas mais agudos da doença.

Se você possui sintomas e quer realizar o teste rápido, é possível procurar alguns laboratórios que estão oferecendo este serviço. O valor deste exame varia entre R$200 e R$400 e o resultado pode ficar pronto em poucas horas, caso seja feito através da coleta de sangue intravenoso.

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